O que você pode fazer para ajudar
A DEPRESSÃO AFETA TODA A FAMÍLIA
Ref bibliografia. John H. Greist, MD
James W. Jefferson, MD *
A DEPRESSÃO AFETA TODA A FAMÍLIA
Ref bibliografia. John H. Greist, MD
James W. Jefferson, MD *
Todos nós ocasionalmente experimentamos sensações de tristeza ou “melancolia”. Essas emoções são parte normal da vida, como, por exemplo, a mágoa que sentimos após a perda de um ente querido. Entretanto, quando as sensações de infelicidade tornam-se constantes e começam a interferir nas funções corporais das pessoas, estamos falando sobre uma doença chamada depressão.
Aprender tudo que pode sobre depressão e seus tratamentos disponíveis é uma das melhores formas de ajudar alguém a quem você muito estima (ou você mesmo) a entrar no caminho da recuperação.
DEFININDO A DEPRESSÃO
Quando usamos o termo depressão, estamos falando de uma condição médica comum, com sintomas muito específicos. Esses sintomas têm uma intensidade e duração significantes e podem afetar as funções e o bem-estar de uma pessoa, de várias formas. Esse tipo de depressão requer tratamento, uma vez que pode prejudicar seriamente a capacidade de uma pessoa desempenhar as atividades inerentes a uma vida normal, no trabalho, e em seus relacionamentos. A depressão pode afetar, de inúmeras formas, o nível de humor, a perspectiva de vida, o comportamento e as funções físicas de uma pessoa. O estado de humor de uma pessoa deprimida é quase sempre de tristeza ou de angústia, e a irritabilidade é comum. Sentimento de ansiedade ou uma sensação de medo de que algo de terrível está para acontecer, com freqüência acompanha os sintomas da depressão.
O pensamento depressivo geralmente está muitas vezes associado a uma baixa auto-estima e pode tomar a forma de idéias negativas sobre si mesmo e o seu futuro. Numa depressão severa, sentimentos de inutilidade e desesperança podem debilitar a pessoa deprimida, a qual pode começar achar que não vale a pena viver. Em um caso como este, o suicídio pode ser um perigo real. (Sempre leve a conversa de suicídio a sério, pois pode ser a forma de uma pessoa deprimida pedir socorro antes de levar adiante uma tentativa de suicídio).
Como é possível saber se alguém está com depressão?
O primeiro sinal geralmente é uma alteração no comportamento usual da pessoa. Por exemplo, uma pessoa anteriormente alegre e sociável pode tornar-se irritável e retraída. Ela pode perder o interesse nas atividades que antes eram apreciadas ou pode começar a ter problemas com o sono ou apetite.
Considerando que cada pessoa é um ser individual, os sinais de depressão podem variar enormemente de pessoa para pessoa. Entretanto, alguns dos sinais observados com maior freqüência estão relacionados no quadro abaixo:
SINAIS COMUNS DE DEPRESSÃO
Humor deprimido
Perda de interesse em atividades anteriormente prazerosas
Insatisfação com a vida
Afastamento das atividades sociais
Perda de energia
Perda de interesse sexual
Sensação de desamparo ou desesperança
Irritabilidade
Grande preocupação com problemas de saúde
Tristeza e choro
Preocupação e/ou autocrítica
Dificuldade em concentrar-se e/ou tomar decisões
Insônia
Perda de apetite e de peso (ou, menos comumente, sono mais prolongado e ganho de peso corporal).
Abuso de substância prejudiciais
Quando suspeitar que alguém que você estima (ou você mesmo) está deprimido, é importante falar com um profissional de saúde. Seu médico pode ser a primeira pessoa a oferecer sugestões, apoio e informações sobre opções de tratamento eficaz.
QUEM É AFETADO PELA DEPRESSÃO?
Depressão é um transtorno muito comum em nossa sociedade, afetando cerca de 5% da população em um dado momento. Pesquisadores estimam que aproximadamente 10% dos americanos sofrerão um episódio depressivo maior em algum período de suas vidas. Alguns calculam que essa incidência seja da ordem de 25%, especialmente na população feminina. As pessoas que já tiveram uma crise depressiva têm maior tendência a desenvolver um outro episódio do que aquelas que não passaram por essa experiência. As pessoas propensas à depressão podem ter uma média de cinco episódios em toda a sua vida. Felizmente, os estudos mostram que tratamento precoce pode reduzir a severidade e a duração dos episódios depressivos para a maioria das pessoas.
A depressão afeta pessoas de ambos os sexos, de todas as raças, idades e posição social. Existe evidência, entretanto, de que certos grupos de pessoas podem ser mais vulneráveis à depressão do que outros. Antes dos 65 anos de idade, mais mulheres do que homens são diagnosticadas com depressão, mas após essa idade, tanto homens como mulheres parecem ser afetados igualmente. Crianças e adolescentes também podem tornar-se deprimidos, e adolescentes podem ser especialmente suscetíveis. Até recentemente, muitas pessoas tendiam em não admitir sinais de depressão em adolescentes, acreditando que os mesmos eram parte normal da problemática da adolescência ou ‘simplesmente uma fase’ que os jovens logo superariam.
Hoje, os especialistas reconhecem que os adolescentes são tão vulneráveis a transtornos depressivos quanto os adultos e talvez até mesmo com risco maior de suicídio. De fato, nos últimos 30 anos, o índice de suicídio triplicou entre os jovens - uma tendência trágica e alarmante.
Os especialistas acreditam agora que muitas pessoas com propensão à depressão experimentam seu primeiro episódio entre 15 e 19 anos. Os sintomas da depressão em um adolescente são freqüentemente similares àqueles observados em adultos, mas podem também incluir, raiva, comportamento agressivo, uma baixa no desempenho escolar e outras formas de ‘manifestação’.
O papel da genética
Parece existir um componente “hereditário” em muitos casos de depressão. Em outras palavras, se outros parentes mais próximos forem propensos à depressão, a sua tendência em ter a doença será maior.
Por exemplo, se um gêmeo idêntico tiver depressão, existe uma chance de 70% do outro gêmeo também desenvolver depressão. Nos filhos, pais e irmãos de uma pessoa deprimida (incluindo gêmeos não-idênticos) a probabilidade de desenvolvimento de depressão é de aproximadamente 15%. Nas pessoas que não têm parentes chegados que sofrem de depressão, a probabilidade de virem a desenvolver depressão é de apenas 2% a 3%. Parece haver verdade na idéia de que a depressão pode “disseminar-se na família”
Por exemplo, se um gêmeo idêntico tiver depressão, existe uma chance de 70% do outro gêmeo também desenvolver depressão. Nos filhos, pais e irmãos de uma pessoa deprimida (incluindo gêmeos não-idênticos) a probabilidade de desenvolvimento de depressão é de aproximadamente 15%. Nas pessoas que não têm parentes chegados que sofrem de depressão, a probabilidade de virem a desenvolver depressão é de apenas 2% a 3%. Parece haver verdade na idéia de que a depressão pode “disseminar-se na família”
Fatores Bioquímicos
Uma nova área promissora da pesquisa está examinando possíveis causas físicas de depressão. Muitos especialistas acreditam agora que a depressão pode ser causada por um desequilíbrio ou rompimento no nível de alguns importantes elementos químicos do cérebro chamados neurotransmissores. Apesar de os pesquisadores não terem ainda todas as respostas, conseguiram desenvolver inúmeras medicações para modular os níveis de neurotransmissores revelados como eficazes no tratamento da depressão.
Fatores ligados ao próprio desenvolvimento e outros fatores externos
Existe alguma evidência de que as crianças que sofrem perdas prematuras de pessoas importantes, especialmente os pais, são mais propensas em desenvolver depressão, mais tarde, na vida. .
COMO A FAMÍLIA PODE AJUDAR
A depressão é um transtorno que afeta toda a família. As pessoas deprimidas podem despertar sentimentos de frustração, culpa e até mesmo de raiva nos familiares, os quais podem guardar ressentimento ou ter dificuldade de entender os problemas da pessoa deprimida. Estudos mostram que as pessoas deprimidas são mais passíveis de experimentar sentimentos de rejeição ou julgamentos negativos por parte de terceiros do que as não deprimidas, e as reações negativas de outros membros da família podem agravar ainda mais os seus sentimentos de desesperança e baixa auto-estima.
Sem dúvida, compreensão é a chave.
Quanto mais uma família conhecer sobre depressão, mais bem preparada estará para oferecer apoio na hora em que o familiar deprimido necessitar.
Aprender mais detidamente sobre tratamentos eficazes da depressão também ajudará a incentivar a pessoa deprimida a aderir ao plano de tratamento prescrito. Algumas famílias se beneficiam da participação em terapia ou aconselhamento familiar para entenderem melhor os complexos aspectos envolvidos na depressão. O aconselhamento pode ajudar toda a família a aprender sobre estratégias de comunicação mais eficazes e melhores formas de combater a depressão em casa.
Associar-se a um grupo de apoio para pessoas com depressão e suas famílias é uma outra opção. Você ficaria assombrado ao descobrir como é útil e tranqüilizador poder falar com outras pessoas que entendem exatamente o que você e sua família estão passando!
Essas organizações podem oferecer ajuda para encontrar um grupo de apoio em sua área e são também uma boa fonte de informações para auxiliar na sua educação sobre depressão. Entrementes, aqui estão algumas sugestões que ajudarão a fortalecer o combate à depressão, e que sua família pode começar a usar imediatamente.
FORMAS DE APOIAR UM MEMBRO DEPRIMIDO DA FAMÍLIA
- Tente manter um relacionamento o mais normal possível
- Reconheça que a pessoa está sofrendo
- Não espere simplesmente que a pessoa “melhore repentinamente”
- Envie esforços para que a pessoa decida se tratar e melhorar
- Demonstre afeição, ofereça palavras reconfortantes e faça elogios
- Mostre que você respeita e valoriza a pessoa
- Ajude a pessoa a manter-se ocupada, um membro ativo da família
- Não critique, atormente ou censure a pessoa por seu comportamento deprimido
- Não diga ou faça qualquer coisa que, em sua opinião, poderia piorar a imagem pouco satisfatória que a pessoa já tem de si mesma.
- Leve a sério qualquer conversa sobre suicídio e notifique o fato imediatamente ao médico ou ao profissional responsável.

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