Pôr que as pessoas se drogam?
O sentido de usar drogas varia de cultura para cultura e de momento
para momento. Mas, por trás de todas as nuançes, o interesse do usuário
é sempre o mesmo e o mais óbvio possível: a busca do prazer. E droga dá
prazer, não há como negar. Por que, então, algumas pessoas usam drogas e
outras não? E por que algumas pessoas usam uma droga e viciam, e outras
não?
“A droga dá prazer, mas não para qualquer um. Tem gente que não gosta
da sensação de ficar com a consciência alterada. Essas pessoas não
voltarão a usar, porque ninguém fica dependente de algo que cause
desprazer. O que prova que não é o acesso à droga que gera o uso”, diz o
psiquiatra Dartiu Xavier. Além disso, algumas pessoas se dão bem com
certas substâncias, mas não com outras. “A interação da química do
usuário com a da droga é importante. O prazer obtido com essa interação
é que vai nortear o risco de a pessoa querer usar mais”, diz o médico
Arthur Guerra de Andrade.
O conhecimento humano ainda não permite saber, de antemão, quem vai
virar dependente de uma substância. Mas as pistas indicam que os
dependentes de droga têm dificuldades em sentir prazer e encontram nas
drogas um alívio para o sofrimento que os atormenta emocionalmente.
O uso precoce é um dos fatores de risco mais importantes. Até os 16
ou 18 anos, a personalidade do jovem ainda não está desenvolvida, ele
ainda está tentando encontrar sua forma de se relacionar com o mundo.
Oferecer a ele uma fonte instantânea de prazer pode ofuscar sua visão
para outros mecanismos saudáveis que, tanto quanto as drogas, têm o
poder de alterar sua consciência e seus sentimentos, como os esportes,
os estudos e as atividades artísticas.
Famílias pouco afetivas também povoam o histórico de muitos usuários
regulares. É como se o sujeito possuísse um déficit afetivo, uma sede do
prazer negado pela família. Essa lacuna ele vai ocupar de alguma
maneira, muitas vezes com drogas.

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