20 de novembro


Nesse feriado do Dia da Consciência Negra, os pontos para reflexão são muitos. 
Na terceira semana, falamos da sociedade e como nos relacionamos com ela ou somos 
impactados por ela.

Nossos comportamentos e atitudes são influenciados por essa sociedade ou são impactados 
pelas suas condições e ações. Outro dia, apenas com o intuito de testar essas ferramentas 
de IA (inteligência artificial), indaguei sobre as piores atrocidades produzidas pelo ser humano.

Na lista, a primeira opção foi o Holocausto (ocorreu nos anos de 1933 até 1945 - Holocausto é o nome 
dado à execução em massa de judeus e de outras minorias perseguidas) cerca de 12 anos.

Ao percorrer a lista, em nenhum dos itens consta a escravidão (300 anos). O que efetivamente não representa 
nenhuma surpresa, pois o sistema escravocrata tinha como premissa a desumanização de corpos pretos, 
algo que ainda se faz presente nos dias de hoje.

Há quem diga que quando uma mãe perde um filho, todas as mães sentem. Será?

No Brasil, o genocídio de jovens pretos segue ocorrendo sem causar estranheza na grande maioria da 
população.

Quando falamos de apoio e de grupos de apoio, sobretudo quando a busca e procura por ajuda está relacionada 
ao uso de substâncias psicoativas, nos deparamos com outras realidades. 
Obviamente, assim como na grande maioria dos lares, o problema da dependência química somente passa a existir 
e despertar atenção quando ela bate em sua porta de dentro para fora, porque se for de fora para dentro, ainda 
assim não despertará a mesma atenção.

Assim ocorre com a população preta no Brasil. Se a cada 23 minutos um jovem preto é morto pelo estado, 
soma-se por ano mais de 22 mil mortes, e isso não causa indignação, estranheza ou preocupação... porque "são eles"...

A justiça pune de forma mais severa jovens pretos. O que isso impacta?
Jovens pretos não chegam em grupos de apoio como sentenças judiciais alternativas... eles vão mais para a prisão...
Jovens pretos, mesmo portando quantidades inferiores quando comparados com jovens brancos, recebem penas mais duras... prisão.
Jovens brancos, mesmo portando quantidades superiores, recebem penas alternativas... como participar de grupos de apoio...
Jovens pretos representam mais de 80% das mortes por homicídio.
Jovens pretos representam 90% dos mortos por policiais em 2023.
Jovens pretos são 87% dos mortos pela polícia...
22.849 jovens pretos são mortos pelo estado em um ano.

Toda essa gama de informações impacta no acesso dessa população à assistência, à ajuda e ao tratamento.

O preconceito e o Racismo é tão constante em nossa sociedade que você precisa introduzir esses assuntos de forma clara 
e objetiva e  ainda assim, corre o risco, sofrer com os gatilhos que as pessoas que ainda reproduzem o preconceito racial 
na sociedade.  Torcendo o "nariz" para suas falas, rejeitando informações estatisticas processadas por entidades confiaveis, 
apenas porque exaltam as diferenças de tratamento na sociedade para população preta.

A perpetuação dessas diferenças é parte desse racismo estrutural onde uma minoria branca busca manter seus privilegios.

Sobretudo é importante reconhecer que essa população enfreta e precisa enfrentar as problematicas relacionadas a dep. quimica de forma
diferente, pois é comum ouvir jargões do tipo " a droga é democratica não escolhe classe social, etnia, crença reliciosa..", porem 
a sociedade trata de forma diferente e proporciona acesso a ajuda de forma diferente.

Sobre Recaída


Anteparo

Você já ouviu falar disso?

Como segurar uma avalanche? Como segurar um tsunami? Como segurar um volume imenso de água? Como segurar um deslizamento de terra? Como lidar com um desejo incontrolável?

A fissura é um comportamento relacionado ao desejo de repetir uma experiência de consumo de uma determinada substância.

Podemos fazer uma analogia com filmes de ação: imagine um personagem com uma granada nas mãos. Uma granada tem um poder destrutivo que vai além da explosão, liberando muitos fragmentos que causam ferimentos graves e até a morte. A fissura seria a vontade de puxar o detonador.

Em segundos, tudo pode mudar. É como se na própria mente houvesse o consentimento para a detonação e a entrega à fissura. Daí a importância de entender e aprender sobre isso, utilizando anteparos que ajudem a pessoa a não consentir e não alimentar a ideia de que tudo fica melhor com a companhia da droga.

Como podemos entender a fissura? Associar ao desejo, no sentido do “eu quero”, e a compulsão ocuparia o sentido do “eu vou”, levando a pessoa ao comportamento que contribuirá para o ato do consumo.

Levando em conta os sintomas fisiológicos geralmente vivenciados como forte ansiedade, “acionam” trazendo pensamentos que fortalecem as crenças aditivas permissivas como: “usarei apenas um pouco”, que podem levar ao uso da substância.

Juntando-se a isso as crenças aditivas, que estão ligadas à busca do prazer (ou alívio do desprazer) e sensações de bem-estar.

Por outro lado, a pessoa pode também fortalecer as crenças de controle como: “terei prejuízos com o uso” e "as perdas", visualizando os benefícios advindos da abstinência.

O grupo de ajuda contribui mutuamente, de forma que a cada partilha sincera vê-se um espelhamento de sentimentos, atitudes e comportamentos. Isso pode traduzir-se em reflexão e reconhecimento do momento atual que cada um vivencia ou já vivenciou, revisitando não somente os tempos passados, mas também o presente.

O anteparo pode se traduzir naquela reunião em que me fiz presente, no acolhimento sincero de quem percebe a instabilidade, no "não" assertivo, no silêncio que sabe ouvir sem julgamento ou necessidade de privilegiar sua opinião.