Aprender a Aprender
Rui Manuel Carreteiro
Psicólogo Clínico – Psicoterapeuta – Neuropsicólogo
Professor e Membro do Conselho Científico do Instituto Nacional de Psicologia e Neurociências
or aprendizagem compreende uma
mudança das nossas habilidades –
modo de fazer e de conhecer – mais
ou menos permanente e resultante da nossainteracção com a experiência anterior.
A aprendizagem depende das estratégias de aprendizagem, ou seja, do plano de aprendizagem formulado para atingir determinado efeito.
No que concerne à codificação e
compreensão de materiais, é importante a compreensão completa do discurso (pequenos excertos não compreendidos prejudicam a relação global d matéria dificultandnão só a
memorização como também a aprendizagem), e uma codificação flexível da informação, na qual o sujeito estabeleça várias vias de acesso a determinada informação.
Estudar tentando compreender é sempre preferível a estudar procurando apenas memorizar não só porque promove uma melhor ligação interligação entre os conteúdos – o que facilita e flexibiliza as respostas – como também exige menos esforço da capacidade de memória: É mais fácil decorar o nome de seis países se compreendermos que eles pertencem à União Europeia, do que se tentarmos decora-los isoladamente sem nenhuma ligação entre si.
A leitura em voz alta é preferível à leitura em voz baixa não só porque é mais lenta, como também recorre melhor à compreensão e reorganização da informação.
No que concerne à organização das
matérias, é sempre preferível uma organização pessoal do que uma organização proposta ou pre-existente. Em estudo sobre estratégias de aprendizagem nos anos 90 encontra diferenças entre os bons e maus alunos, relacionadas com o tempo despendido na organização de notas e apontamentos de leitura. As melhores reorganizações são as que têm notas de leitura e apontamentos. As anotações das aulas são muito mais eficientes quando são sujeitas a uma reorganização que deve ser sempre realizada pelo próprio sujeito, já que as notas pessoais são mais produtivas do que as cedidas por colegas, já que implicam um maior envolvimento do sujeito.
Os esquemas são muito importantes, não só porque permitem uma melhor organização da matéria, como pelo seu carácter visual permitem aceder mais facilmente à informação retendo na memória visual uma ideia geral do esquema. Um colega meu referia-me a propósito de um exame que era como se tivesse fotografias dos esquemas que tinha realizado e quando precisava de uma resposta fazia como que um zoom para encontrar a informação pretendida.
Alguns estudos revelam que a aprendizagem de determinadas matérias fica associado ao local onde o estudo decorreu.

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